O Lado B da Vida









Tarefa nada fácil preservar e estimular os sorrisos e o brilho nos olhos dos filhos, esse jeito saudável e alargador, além de ser um presente de Deus e do universo, tem o dedo de mãe e de pai, ou melhor, tem o corpo e a alma dos pais. Meus filhos raramente ficam doentes, acho que em 2015 fui apenas uma vez num plantão médico por causa de uma alergia do Enzo... sorte? Pode ser, um pouco, mas são dias e dias de cuidado com a alimentação, com o brincar, com o saber e viver de todos nós.
Caminhamos pela grama descalços, sentimos seu toque suave, seu frescor e esquecemos a trabalheira que deu e que dá para mantê-la assim. O universo, além de prover, ele sopra, mexe, remexe, conspira e nos carrega pra muitos caminhos, não vivemos e nem podemos viver a revelia de tudo, o amor, a força, a união, a felicidade não caem do céu bem encima da gente!  Lemos um livro e avaliamos o final, vemos uma bela casa construída e pensamos o quanto deve ser bom e "melhor" viver nela. Enxergamos o lado A da vida de alguém e pensamos: "que P E R F E I T A, como Deus e o universo foram  generosos com ela". A gente tem por costume esquecer do caminho e julgar só a chegada... Recebo alguns emails de pessoas que nem conheço pessoalmente, a maioria delas me conhece pelas redes sociais. Antes do final do ano recebi um que me parabenizava pelos filhos, pelo jeito de eu levar a vida, etc e etc. Li umas cinco ou seis vezes a palavra "perfeita", acrescida das palavras vida e maternidade, fiquei pensado nesse "resultado final" da vida que a gente compartilha com o mundo por aqui e por ali. Pois bem, pra se chegar a ele dou conta de muito trabalho, a vida e a maternidade não são perfeitas, mas me trazem resultados felizes, e pra se chegar neles... ah, quanto caminho para percorrer. Fazem três meses que não tenho nem faxineira pra me ajudar com a casa, a minha foi morar em outra cidade, ainda não consegui substituí-la. Eu lavo, estendo, passo, varro, lavo, seco, limpo, esfrego, lavo, estendo, passo, cozinho, limpo outra vez, recolho cocô de cachorro lá fora, organizo brinquedos, organizo papeis, cuido do jardim, cuido do pomar, cuido dos filhos, cuido dos cachorros, cuido de mim,cuido dos outros, cuido da vida... tudo isso com a ajuda do marido (que também trabalha fora).  As vezes olho para o cesto de roupas e acho que nunca mais vou conseguir esvaziá-lo, corro atrás dos filhos, tento brincar o máximo possível, ensiná-los os valores importantes, nutrí-los de saberes e de vivências sociais, culturais, artísticas e humanas, todos os dias tem bronca, as vezes bem séria,  as vezes nem tanto, e é um tal de: ajunta aqui, guarda ali, pega lá, escuta a mãe, escuta o pai, ESCUTA O OUTRO, escuta a vida, põe reparo nela e em todos que te rodeiam: humanos, animais, vegetais e tais... é bem assim que é o lado B da vida: de LUTA.








Lembro quando mostrei o filho menor comendo sozinho pela primeira vez, uma foto linda, feliz e emocionante, pois é, mas pra se chegar ali foram inúmeras tentativas, com choros, com incentivo, com risos, com bronca, com limpa aqui e acolá, e esse processo continua: ajuntando arroz, farelo e sucos derramados no chão... nada fácil essa maternidade, nada de perfeitos esses pais que choravam juntos por não conseguirem tirar as fraldas do filho que já estava com três anos, sem contar o acompanhamento no processo escolar da filha, nas dores que a infância traz, nas escolhas difíceis que são necessárias, nas horas de sono perdido, na batalha que é educar os filhos para o bem deles, dos outros, para o nosso bem e do planeta, pois é, parece perfeito a mãe fazer pão, comida saudável, correr pra feira as 6 da manhã, cuidar da horta e do pomar, mas há os "entretantos" e são tantos. Há poucos dias fiz picolé de manga, abacaxi e limão, ficaram lindos e deliciosos, todos amaram, fiz com uma afeto enorme e com aquela vontade de ser feliz (necessária pra nos manter vivos), mas lembro de olhar para toda aquela sujeirada na cozinha e pensar: seria bem mais fácil ir ali no Pedro (mercadinho perto de casa) e comprar tudo prontinho, mas não é assim que sou, gosto do fazer, gosto que meus filhos e marido façam, construindo juntos sabemos avaliar melhor e com mais sabedoria o quanto viver conforme algumas escolhas não é tarefa fácil. A vida aqui anda a mil por hora, as vezes o coração tá na boca, as borboletas no estômago, mas outras vezes a lágrima está nos olhos, a dor está no corpo e na alma, é aí que a vida pega, é aí que de verdade faremos a prova, o teste de resistência pra se viver nesse mundo de meu Deus. Aprendi a viver de peito aberto, sem muito descanso, colocando reparo nas lindezas que se manifestam no caminho e tentando driblar as feiuras que fazem parte da nossa condição humana. Sim, eu tenho filhos lindos, bem educados, inteligentes, sensíveis, mas é luta diária tentando passar pra eles o que realmente importa... sim eu tenho uma casa boa, iluminada, feliz, mas é luta diária de acordar cedo e dormir tarde... sim, eu tenho um marido parceiro, amigo e amante, mas é luta diária para manter isso vivo... sim eu amo cozinhar, inventar, fazer pão... mas é luta diária de reinventar tempo pra isso... sim eu crio, pinto, desenho, restauro, construo com e para os filhos ou sem eles e sem ser para eles, mas é luta diária.







Precisei abrir mão de algumas coisas pra me entregar a maternidade, a educação dos filhos e a casa, não me arrependo de nada, não lamento nada, eles estão bem, todos estamos bem, nesse ano volto a fazer algumas coisas que deixei pra trás, e volto mais feliz, com mais bagagem, mais vontade, com mais sabedoria e com mais amor. É isso, a vida tem tantos lados: A, B, C, D, somos muitos em um só, somos o resultado das escolhas feitas por nós e daquelas que nem podemos escolher, só viver... e vivemos tantas coisas: perfeitas ou não, felizes ou não...ainda assim VIVEMOS, não tem outro jeito, eu danço os ritmos que o universo me dá, mas saibam: faço minhas melodias, meu ritmo, luto, luto e luto... não fico aqui sentada esperando a vida passar e me trazer a felicidade numa bandeja de prata! E justamente a maternidade foi um dos processos mais difíceis, foram longos dias de três anos esperando meus filhos chegarem (nascerem).








Feliz tudo pra vocês tudo!



CHEGAR É NASCER





Sim, chegada é nascimento, (re) encontrar os outros é fazer nova família.
Sempre que se chega em um novo lugar-casa-gente-espaço o peito se despolui da poeira antiga, de ranços passados. Dentro da palavra chegar cabe tantas coisas, ela tem peso, altura e largura que abraça, é uma palavra corpo. Meus filhos não nasceram de mim, mas chegaram pra mim e chegar é se ver de perto e se ver de perto pela primeira vez é nascer um pro outro. São meus filhos desde o dia que nasceram meus, e minha família se fez mesmo nascendo longe, porque a chegada estava próxima, bem perto. É difícil definir com clareza quantas possibilidades de família existem e "convencer" os outros de que você pariu seus filhos mesmo estando ausente no dia do parto.  
Quando vi meus filhos pela primeira vez, senti uma dormência no corpo, tal como dizem sentir as mulheres logo depois de parir, era a chegada deles em nossas vidas. Assim como se faz força para dar a luz, meu corpo fez força, minha alma fez força, em cada etapa do processo de adoção, em cada entrevista com a psicóloga e a assistente social, fiz força durante três anos: meus olhos se esforçavam para visualizar como seriam meus filhos: cor do cabelo, dos olhos, da pele, da boca, como seriam suas mãos, seu olhar, seu tamanho, o volume da voz, quantos anos teriam quando CHEGASSEM pra nós, e esperar por essa CHEGADA foi o maior esforço de todos, era gravidez sem data e nem proximidades marcadas, era espera sem poder contar o tempo, eu e o marido achávamos o tempo um "deus" malvado,  e precisamos fazer força até para nos mantermos unidos como casal, a vida pedia pra gente andar e o queríamos era voar. Sempre tínhamos pressa de que amanhã chegasse, e que hoje já fosse ontem, era um esforço tremendo respeitar o tempo........... e quando chegou a hora do parto, depois de ver as carinhas dos filhos, o corpo amorteceu, o AMOR TECEU. 
Definir família é tarefa singular que depois vira plural, tantas vezes precisamos juntar pedaços de nós por aqui e por ali para só depois saber quem somos e quem são os nossos pares e ímpares, vamos juntando e ajuntando tanta coisa e tanta gente pelo caminho. 
Os laços consanguíneos nem sempre são os mais fortes, e também não são, para muitos, compromisso de amor e zelo. Não preciso lhes contar tudo o que meus filhos passaram com seus pais biológicos, mas posso lhes dizer que muitas vezes os enxerguei nas lágrimas dos nossos pequenos. Nossa filha nos conta de algumas lembranças doloridas que tem, nós pais: filtramos os fatos, atribuindo-lhes uma escala de valores que vai do que é banal até o que é imprescindível,  ela tem testemunhos e as vezes sussurra coisas no meu ouvido, como se me dissesse: só vou contar isso pra ti... acho que dói menos. Não costumamos falar dessas coisas, elas nem cabem mais em nós, mas se ela deseja, e cada vez foi desejando menos, falamos, sabemos que deve passar, basta tempo e as vezes silêncio. Em nenhum momento concordamos com ela quando acha que nunca foi amada ou cuidada quando morava com seus pais biológicos, pelo contrário, lhe contamos o quanto somos gratos por eles terem dado a ela e ao irmão o dom da vida, porém, internamente sabemos que foi só isso que fizeram, nós agora é que somos a FAMÍLIA deles, pertencemos uns aos outros num amor sem fim, e eles, meu filhos,  resilientes que são, têm mais espaço para felicidade do que pra tristeza.
Existem tantos lugares dentro e fora da gente, nos desapegamos de nós mesmos com tanta frequência que nem nos damos conta, somos família e deixamos de ser conforme o que vamos vivendo, conforme os encontros que temos com gente, bicho e lugar. Nesse construir e desconstruir da família, um mundo de coisas acontecem, saímos e entramos no olho do furacão incansáveis vezes, e aos pedaços ou inteiros vamos sinalizando nosso caminho, fundando placas que nos direcionam ora pra cá, ora pra lá, ora pra frente, ora pra trás....... sem deixar de olhar as placas alheias e as novas possibilidades de escolhas.  É pela desordem que organizamos a vida, é o universo que provê, sem esquecer que: ele não dá, mas devolve! O cenário da vida pode mudar muitas vezes, nós (os atores) também. Foi isso que fiz depois de me dar conta de que engravidar era palavra bem maior e que significava mais do que ter um filho no ventre, a adoção foi um recomeço sem medo, com a expectativa  e a certeza de que era esse o caminho, era a escolha mais bonita, mais verdadeira e que iria nos levar ao encontro dos nossos filhos. E como todo o recomeço, a adoção nos trouxe viço novo, amor novo, conceitos novos, e se assim posso nomear, nos trouxe: espiritualidade nova, novos guias, orixás, santos,  entidades, um novo jeito de ver e sentir Deus, um novo sopro de força, e a gratidão por entender que o mundo tem seus mistérios. Não salvamos nossos filhos de nada, nem tão pouco fizemos caridade, a CHEGADA deles foi como um abraço forte depois de de sentir muita dor. 
Sou tão grata pelas possibilidades que a vida nos dá de construir a família que a gente ama. 
Somos rios de encontros, somos ávidos, somos tantos e com tantas possibilidades......... encurtar-nos com definições de família é como podar as possibilidades de amar!


Dos Preconceitos Com a "Dona de Casa"







Escrevo sobre as coisas que acontecem na vida, pois elas nos ajudam a entender esse mundo e a partir delas podemos reconstruir nosso conceitos... ou não. 
Eis que numa mesa com amigos e conhecidos, um deles diz: "e então, vamos conversar sobre carros ou sobre direito?" Isso porque estávamos ali entre homens que trabalham no ramo automobilístico,  suas esposas que são advogadas e eu da área das Artes, no momento "dona de casa". Me pronuncio: por que não podemos falar de Arte? E outra pessoa responde com um sorriso em grau de deboche: "da arte de ficar em casa?" Pronto, ele acabava de chegar exatamente onde eu queria, começamos então (todos) a discutir sobre a "arte de ficar em casa", de ser "dona ou dono de casa". No meio da conversa surgiu até o nome Amélia, a pessoa que o citou talvez nem saiba que esse termo já é até verbete de dicionário, mas provavelmente conheça o samba de  Ataulfo Alves e Mário Lago. Amélia há tempos deixou o posto de substantivo próprio e passou a ser substantivo comum, pois reconhecidamente se trata de uma "moça sem a menor vaidade" vivendo à sombra do marido, da família e da casa, tudo o que não sou, não pretendo ser e tenho certeza que muitas outras mulheres não são e nem pretendem ser. Outra pessoa diz: "ficar em casa. quanto retrocesso Rosane!O assunto foi tomando corpo e constatei que algumas das mulheres pensavam de forma mais machista que os homens, pois em suas falas ficava claro que "mulher de verdade" é aquela que sai de casa todos os dias pra encarar o trabalho lá fora, deixa os filhos na escola, com a babá ou etc, para poder sustentar a família de igual pra igual como o marido, e ainda chega em casa e encara seu terceiro turno: tarefas do lar, filhos... Sendo que a mulher que fica em casa "tem mais tempo livre". Percebi que estávamos na escala da categorização de pessoas. Se essas eram as "mulheres de verdade" as outras então seriam as de mentira? Mas a pior fala ainda estava por vir e veio também de uma mulher: "na verdade a mulher que fica em casa trabalha muito, até mereceria receber um salário por isso, mas acontece que fica """emburrecida"""", suas atividades passam a ser lavar, passar, cuidar dos filhos, fazer comida, ajudar com as tarefas da escola, bla, bla, bla e acabam esquecendo do mundo lá fora e até mesmo de si mesmas" e ainda acrescentou algo mais ou menos assim: "sem falar que ficam em casa as que são muito ricas e têm esse """privilégio""" ou aquelas que são muito pobres e não têm emprego ou qualificação para trabalhar fora". E a pessoa que deu início a esse enredo todo falou: "por isso que eu disse se íamos falar de carros ou direito", querendo dizer que: os assuntos de "casa" são desinteressantes. Estávamos em nove pessoas, quatro delas se posicionaram dessa forma, ainda bem que eu e as outras quatro nos posicionamos bem diferente disso. Perguntei aos mais entusiastas ao machismo (confesso que fiz isso de maneira esnobe)  se conheciam uma porção de livros que eu já havia lido, citei algumas autoras mulheres: Carolina Maria de Jesus, Alice Ruiz, Chimamanda Adichie, Adélia Prado, Marina Colasanti, Simone de Beauvoir, entre outras, perguntei se já tinham visto as exposições de arte que eu vi, se já tinham ido a tantos espetáculos de dança e teatro quanto eu fui, se já tinham parado pra olhar pro lado e ver que o mundo é bem maior do que imaginamos ou desejamos... arrematei: e pra aqueles que acham que quem fica em casa não trabalha, convido a passar um dia comigo, e já adianto: cedinho da manhã recolhemos os cocôs dos cachorros lá fora, que são muitos, grandes e fedidos, e a propósito fazemos isso com um sorriso no rosto!!
É importante tomar cuidado para evitar certas posturas de culpabilização feminina, nem todas as mulheres que se dedicam aos afazeres domésticos e outras atividades caseiras tem postura "machista", há muitas mulheres com carreiras executivas que ainda enxergam a vida através das lentes patriarcais, e acabam sendo mais submissas do que as "donas de casa", e ao contrário do muitos pensam:  cuidar dos filhos, da comida, das coisas da casa, não emburrecem ninguém, o que emburrece é manter vivo um conceito de que só se pode ser feminista, politizada, inteligente, dona de si quem trabalha fora, emburrece o desconhecimento de tudo o que envolve as tarefas domésticas e das atividades com os filhos pequenos. Há um envolvimento do tamanho do mundo e com o mundo ao se desempenhar todas essas funções.
Há algum tempo mulheres foram queimadas numa fábrica, mulheres não tinham o direito ao voto, nem aos estudos, muito menos ao trabalho fora de casa. Hoje já se conquistou parcialmente a igualdade de direito entre os sexos. No mercado de trabalho, na política, na economia, na sociedade, as mulheres são mais valorizadas, e as tarefas domésticas, que antes eram delegadas somente às mulheres passou a ser também tarefa dos homens, aplausos de pé para tudo isso, e sabemos o quanto ainda precisamos vencer preconceitos machistas e apequenados a respeito das mulheres. Já que se venceram tantas coisas por que não superamos esse novo/velho conceito de que se eu varrer a casa, cuidar dos filhos, fazer comida estarei traindo o feminismo, deixarei de ser ativista, ficarei burra, escolher ficar em casa (no meu caso por um tempo) não é retrocesso é um direito de toda e qualquer pessoa (homem ou mulher) que assim puder e desejar fazer. Acredito que o ativismo se dá de dentro pra fora, seja em qual esfera for, suas vertentes se estendem e se ampliam dentro ou fora de casa. Trabalhei fora desde meus 17 anos, estudei, criei, fiz muitas coisas, deixei marcas no mundo, nas pessoas... pretendo voltar, tenho projetos sendo executados nas madrugadas livres, estou com 44 anos, escolhi ficar um tempo em casa com os filhos, tenho um marido que trabalha fora e quando chega em casa trabalha mais ainda me ajudando com todas as atividades que envolvem uma casa, uma família, não sou obrigada a escutar: "que retrocesso Rosane!" Estamos num momento em que se discute muito a constituição familiar, essa defendida por muitos: papai (homem), mamãe (mulher) e filhinhos não é a única e nem nunca será, sou a favor da FAMÍLIA/AMOR seja ela composta de qualquer forma, gênero, classe, raça e principalmente construída com bases LIBERTADORAS. Lembram das mulheres que atearam fogo em seus sutiãs? Eu aqui da minha casa, apoio de corpo e alma essas labaredas, e por isso mesmo me dou o direito da ESCOLHA, estou aqui, por um tempo, formando cidadãos que respeitam a vida, o planeta, as pessoas... ao mesmo tempo estudo muito, leio muito, escrevo muito e preciso falar: estou aprendendo tanto quanto quando eu saía de casa todos os dias as sete horas da manhã. Não precisaria dizer isso mas quero dizer: meus filhos são muito inteligentes, têm posturas sensíveis frente a vida, são expressivos e felizes, meu filho menino brinca de casinha junto com minha filha menina e ele ajuda a cuidar das bonecas, limpa a casa, busca os filhos na escola, tudo isso brincando e APRENDENDO. Meus filhos me reconhecem como alguém admirável, que pinta, desenha, escreve, fotografa e cuida deles, dos bichos e da casa, sabe que trabalhei fora sempre, admiram tudo o que já fiz e sabem de tudo o que ainda pretendo fazer. Os dois observam o pai ajudando nas tarefas domésticas com a maior naturalidade, como deve ser, não há espanto algum ao vê-lo desempenhando papéis ditos como de "mulherzinha". Brincamos, lemos e contamos muitas histórias, cantamos, dançamos, escrevemos, escutamos, choramos, damos risada, pintamos, desenhamos, criamos, cuidamos uns dos outros, dos bichos, do pomar, da horta, vamos ao teatro, ao cinema, a mostras de arte, ao parque, limpamos, lavamos, cozinhamos, brigamos, pedimos desculpas, brigamos de novo, nos amamos, amamos os outros, trabalhamos... e assim vamos ateando fogo (aos sutiãs) de preconceitos e categorizações.






Dia Bom, Dia de Inventar

A escola que me perdoe, mas amo quando a filha fica em casa... a gente inventa alguma coisa pra fazer: bolo, pipoca, desenhos, pinturas ou enfeites para as árvores do pomar. 




O dia estava lindo, fomos todos pro lado de fora da casa, lado de fora da vida, carregados de apetrechos para fazer nossas atividades "artísticas", o filho só na curiosidade e mexendo por tudo, dedo na cola, puxando as fitas e por aí a fora!




Enquanto isso a filha seguia concentradíssima em suas feituras, ansiosa para ver o primeiro pronto. Eu: ora fotografava, ora ajudava, ora brincava com o filho...









A Raquel terminando os detalhes, cola, fitas, vontade de fazer, alegria em fazer, assim inicia um bom trabalho, qualquer que seja, se a gente deseja fazê-lo, tudo fica mais prazeroso.













Ó ela feliz da vida com o resultado, ficou lindo... ele dança com o vento, embala a gente também, dá pra imaginar uma melodia, ou cantar, e foi o que ela fez, cantou pra ele dançar!




Esse foi só primeiro faremos mais, nossas árvores todas terão seu "dançante".









Por hoje é isso, meus escritos sobre a vida nessa caixinha de sapato virtual de guardar lembranças acabam com esses sorrisos, que iluminam a gente por dentro... fazem clarão na alma.










Beijo afetuoso, abraço demorado e até mais, logo ali!







Dona do Meu Tempo... é o que Tento





Numa tarde por aqui,  perfume que se espalhou pela casa me fez querer dividir tudo isso com vocês. Dia de de sol e frio fiz pão de centeio e geleia de damasco, imaginem o aroma dos damascos com laranja e canela fervendo no fogo, imaginem o cheiro bom de pão assando, e pra deixar a vida mais aromática ainda fiz um chá de laranja com canela em pau e cravos da índia... sentiram?

Primeiro fiz parte da massa do pão: 
150g de farinha de centeio
5g de fermento biológico fresco
150ml de água morna
Mistura tudo e deixa crescer por uns 40 minutos.





Depois acrescenta em torno de 150g a 200g de farinha branca, mais 5g do mesmo fermento,  1 colher de sopa generosa de melaço de cana de açúcar ou açúcar mascavo, 1 colher de chá generosa de sal, casca ralada de um laranja média bem lavada (ralar toda a casca da laranja até começar aparecer o branco). Mistura tudo, acrescenta água até ficar num ponto bom para sovar, ela não pode ficar muito dura, o ponto ideal é mole e desgrudando das mãos, se precisar acrescenta mais farinha. Deixa crescer por 1h e meia mais ou menos...







Enquanto isso fiz a geleia de damasco, fácil de fazer e perfuma a casa toda...
A delícia de fazer geleia em casa é que não colocamos conservantes químicos e nesse caso não coloquei açúcar, geleia sem açúcar tem um nome bem lindo: rapsódia... mas quem quiser coloca açúcar tá?! Fica deliciosa também.
Então vamos a rapsódia perfumada: 1 xícara de damascos secos cortados em pedaços pequenos, gostamos assim, mas quem preferir pode bater no liquidificador com um pouquinho de água, 3 xícaras de água, 1 xícara de suco de laranja com os gominhos, mas sem as sementes e uma rama de canela em pau. Os gominhos tem uma função importante: eles liberam uma certa "gelatina"e deixam a geleia mais consistente. Quem optar por colocar açúcar: 3 colheres de sopa generosas. Coloca tudo numa panela e cozinha por 40min, mexendo as vezes.










Tento seguir a vida fazendo do tempo um aliado e não um inimigo, Tarefa fácil? NADA!! Mas sigo a risca o que minha amiga Fernanda Reali me disse uma vez: "temos toda a eternidade para descansar". Enquanto o filho dormia, a geleia cozinhava, o pão crescia, vi toda aquela sobra de laranja que usei para o suco... Fiz um chá delicioso e aromático, ficou muito bom, um pouco amargo, eu amo assim, para não ficar amargo tire as cascas das laranjas, ou melhor, do que sobrou delas. 





Ó a lindeza disso... sente o perfume disso...
e são só: sobras de laranja, canela em pau, cravo da índia, açúcar mascavo ou mel, um pedacinho de gengibre, leva ao fogo para ferver uns 5 minutos. 






Tomei um chá e me reabasteci de energia e afeto com o mimo feito na xícara coisa da minha amiga Bela e o tapetinho charmoso foi carinho dado a mim pela doce Rosana Remor.




O filho acordou, e a geleia já estava pronta, enchi ele de beijos, lhe dei uns brinquedo e coloquei o pão na forma para crescer mais 1 hora, tirei a geleia da panela, esterilizei o vidro com água fervente, coloquei a geleia nele e... fomos ao parque, um pertinho de casa.






Quando voltamos o pão já estava enorme, imaginem só resistir a isso... teve dedinho colocado no pão sim senhor.







Filha na escola, marido trabalhando... pão para o forno, mãe entre lá fora e aqui dentro, mãe e filho a brincar, no meio disso: lavar a louça, secar, guardar com o Enzo por aqui dentro e lá fora com a cachorrada, entre botina e pantufa a vida segue.










Juro que eu queria dividir com vocês um pedaço desse pão, esse aroma... deixaria vocês darem uns beijos nos filhos também, mas por ora dividimos por aqui "pequenas/grandes" felicidades em imagens e palavras.




Não temos uma família perfeita, bem longe disso, temos muitas dúvidas, poucas certezas, como pessoa, mulher, mãe, esposa... tenho mais perguntas do que respostas, mas algumas coisas eu aprendi ao longo dessa vida: nossas escolhas nos revelam, nos definem, tenho escolhido uma vida simples, sem ser simplória, uma vida mais natural do que a que vejo estampada nas lojas, mercados e mundo a fora. Se estou certa? Não sei, mas me sinto feliz desse jeito.



Um beijo do tamanho do mundo pra vocês.
Grata total pelo carinho e respeito.



 




OUTRAS POSTAGENS