Os Motivos



 


Ouvi tantos "porquês" quando decidimos desmatricular o Enzo, com seus quase três anos, da escola antes mesmo dele começar... Eu sempre saí correndo pela vida, uma corrida rápida-lenta: me demorava nas felicidades e me apressava nas dores, sempre fui muito livre, poucas coisas me prendem por muito tempo, mas hoje minha liberdade tem família, está mais responsável, porém não diminuiu de tamanho e nem de vontade. A minha relação com o “ser livre” é compartilhada, vivo em grupo, em sociedade, nos relacionando é que crescemos enquanto indivíduo. O fato é que sou meio “bicho do mato” em alguns aspectos e apesar de ser educadora, acho que me tornei uma “descolarizadora”. Gosta da escola, mas acho que ela tenta rasgar a fantasia de “bicho solto” que carregamos quando criança, penso que muitas vezes ela nos intoxica com suas fórmulas "curativas", sabe aquelas: "esse menino precisa consultar um psicólogo" ou "acho que um remédio faria ela prestar mais atenção na aula", essas toxinas que a gente vê sendo aplicadas todos os dias por aí, não posso colocar todas as escolas numa caixa só, mas percebo que há uma carência enorme de conhecimentos nelas: públicas e particulares. Gostaria de ver essa tal educação transformadora e libertadora que se costuma divulgar nas propostas pedagógicas da maioria das escolas. Sou absolutamente a favor dos limites, aqueles que ensinam até onde podemos ir, aqueles que ensinam onde devemos parar para deixarmos o outro ocupar o seu espaço. Mas sou totalmente contra o limite criador, aquele que diz: “o caule é marrom, a folha é verde e a flor vermelha”, acho que a criança que ouve essa definição passa a ver tudo cinza, sem vida e sem criatividade,  a criança não precisa dessas informações, afinal tenho visto muitos caules que não são marrons, folhas laranjas, amarelas, e de tantas outras cores ainda nem definidas por nós. 
Enquanto viver quero viver nessa andança do "ser livre" pra inventar a vida,  lições e crenças são coisas que prendem a gente por demais, nos engaiolam, e  nos desalargam, estreitam sentimentos e fazeres. 
Me pergunto:  a escola nessa formatação que temos rouba um pouco a liberdade da gente? penso que sim. Liberdade é a coisa que eu mais prezo nessa vida. Morro de medo da escravidão educacional e emocional. Sempre trabalhei com a educação, e quando sentia  que de alguma forma as pontas das minhas asas seriam quebradas, eu voava, tratava de fugir antes que me acostumasse a não voar mais, muitas vezes isso se deu, e eu precisava trabalhar, mas buscava outras alternativas, sempre me neguei a me "enquadrar no esquema" e claro que gente assim é vista como revolucionária e até meio louca... Mas sempre encontrei outros loucos pelo caminho e juntos fizemos projetos lindos. 








Os motivos de ter excluído, por ora, a escola da vida do Enzo, são muito particulares e escrevendo sobre eles não tenho nenhuma pretensão de convencer ninguém das minhas "verdades", esse depoimento talvez seja mais um desabafo do que qualquer outra coisa, escolhas são escolhas e só. São baseadas em conceitos e valores somente entendidos por você mesmo. Também não tenho a fórmula da "educação perfeita", acho que ninguém a tem, ela nem existe, ainda bem... Educamos de acordo com o que julgamos ser o melhor. Sem muitos medos e também não nos prendemos muito aos possíveis traumas que eles possam ter se baterem de frente com: a frustração, a dúvida, a perda... 








O Enzo é um menino muito ativo, com dois anos e três meses já identificava todo o alfabeto, os números até dez, desde então seu cognitivo foi se desenvolvendo naturalmente, aceita todos os estímulos propostos e vai além, se mostra um serzinho especial em cada nova atitude, em cada descoberta, altamente sensível e afetuoso, eu sei: é mãe apaixonada falando dos filhos, mas de verdade ele é um ser muito espiritualizado, iluminado e feliz. Assim como a Raquel também é. Eles são meninada que não cabe em si, diferente da gente que muitas vezes teve que ser o que nos cabia e só, quando adulto a gente quer logo acertar o texto todo, criança gosta mesmo é de rascunho, de escrever e apagar tantas vezes quantas forem necessárias, acho isso tão bom, sou meio assim ainda. Meus filhos estão aprendendo a ler o mundo, a ler as pessoas, a gente as vezes acha que já sabe fazer isso, e vamos direto ao resumo delas. Somos todos textos longos, sem espaço para resenhas mal formuladas. Tenho tentado ensiná-los a ver sem pressa, a ler o mundo com olhos cheios, há tanta leitura que nunca conseguiremos decifrar, por que a pressa? 






Nosso filho nos dá um trabalhão, é inteligente, carinhoso, querido, e também bastante inquieto e as vezes bem bravo, convencê-lo de não fazer algo é tarefa difícil. Amante da terra, da natureza e dos seus bichos, tirá-lo do "lado de fora" e trazê-lo para dentro de casa é trabalhoso, esteja o dia chuvoso ou ensolarado, frio ou quente seu lugar é lá fora. Dentro de casa nenhum desenho de TV lhe convence, sua alegria e seu brincar se concentram na música, nos jogos de montar, nos livros de história, nas brincadeiras com a irmã, poucos brinquedos lhe prende a atenção, ele se encanta mesmo com um pedaço de um galho de árvore, com o qual ele possa batucar por tudo, fazendo o que ele chama de "múdica", e que pra nós soa como felicidade. Como um menino do seu tempo, gosta de tecnologia e lida com ela de forma natural, o que parece meio estranho para minha geração que teve sua juventude longe disso, já nossos pequenos nasceram num mundo totalmente digital. Tentamos equilibrar tudo isso nessa corda bamba que é educar. 














Q

Acho que como pais, quase nada sabemos, não temos as "certezas" que gostaríamos de ter, estamos nessa juntos, descobrindo que mundo é esse e que jeito podemos viver bem nele, o que fazemos nos parece ser o melhor, por ora, pra agora, nesse momento, logo mais ali nem sabemos, nossas decisões são tomadas pensando no melhor, são decisões de amor e desejamos que nossos filhos também as tomem desse jeito, que o amor seja o maior e melhor exemplo, somos pai e mãe e também estamos aprendendo a caminhar, estamos tentando acertar o passo nesse descompasso que é viver. O mundo é bem maior do que a nossa casa, tem muita gente do lado de fora, nos deparamos com muitos desejos diferentes dos nossos, conviver com eles é nosso desafio, é assim que vamos nos somando no mundo. 






O mundo segue no seu igual, os dias com seus começos, a noite com os seus fins, eu, o marido, os filhos e os outros, vamos todos aprendendo juntos a ler o mundo, a ler as pessoas, mais por dentro do que por fora. Eu com a maternidade fui aprendendo a desaprender um pouco de mim, quando meus filhos chegaram eu estava mais pra dentro do que pra fora, até meio desacordada frente a algumas coisas que a vida nos propõe. No primeiro abraço que dei neles já acordei aquela menina-mulher que se fingia dormir dentro de mim, parece que nesse abraço eles meteram as mãos dentro da minha alma colocaram pra fora as linhas que podiam tecer o que eu acreditava ser educar e me disseram: olha só quanta costura e descostura tens pra fazer, falaram tudo isso num volume baixinho, numa estação só ouvida e entendida pela mãe que eu acabava de me tornar. Eu tinha mais duas vidas nas mãos, vidas querendo asas e me convidando a voar com elas. Eu e meu marido estávamos recebendo a nós mesmos dentro daqueles filhos: "o filho no filho, dentro do pai, o pai no pai dentro do filho, até que se coincidissem". Desde então tenho tido vontade de me alargar, me sentia no início. Parece que estou em outro degrau do mundo, talvez por isso, nada de talvez, É BEM POR ISSO que hoje me faço mais profunda, mais intensa, meu mínimo não basta mais, a vida é a mesma o olhar é outro, a pressa é outra, vejo a vida no seu devagar infantil, aquele jeito que só criança tem: O DE CORRER SEM PRESSA, O DE CORRER NÃO PRA CHEGAR MAIS LONGE, MAS PRA CHEGAR ONDE DESEJA. Criança sabe que não teremos repetição dessa merenda chamada vida, desse tempo chamado agora. 
Então vou eu no meio das minhas inquietações educando meus filhos e me "deseducando" do que preciso, vou desfazendo as amarras e tecendo tecido novo.


Talvez eu tenha misturado tantos sentimentos nesse texto que ele acabou falando demais de outras coisas: das importantes e das desimportantes, se é que o desimportante existe.




Grata sempre. Beijo meu!





O Vento



Talvez eu demore pra chegar no tema que quero abordar, mas chegarei, ou melhor, ele está presente nas entrelinhas, nas linhas, nas curvas e retas. Quero falar sobre espiritualidade, e falar nisso pra mim é o mesmo que falar de sentimentos, dos mais variados que possa existir. Sempre me considerei espiritualizada, questiono-me muito sobre esse assunto e todas as suas beiradas... quando os filhos chegaram trouxeram um "vento novo", forte, intenso, as vezes silencioso, mas quase sempre barulhento, ele venta meus cabelos, bate as minhas portas e janelas, ele me deu asas, quando ele é silêncio, eu faço vigia, vigio a vida e a minha alma, me pergunto: o que esse vendaval sopra dentro de mim? Descrever o que a gente sente pelos filhos é fácil, é sentimento conhecido, íntimo e interno... a maternidade, gentilmente, nos ensina a amar como nunca, ou diferente de antes, ser mãe é uma viagem que nos leva, em pouco tempo a sentimentos nunca antes experimentados. Não me iludo: nada é fácil,  a começar pelas relações: pai e filho, mãe e filho, pai e filha, mãe e filha, pai e mãe, filhos e filhos, homem e mulher, nós com eles, nós com nós mesmos e todos nós com todos os outros. Estamos aprendendo tudo isso juntos, no tempo que tem que ser, do jeito que tem que ser. A pessoa que vos escreve fica querendo tomar conta de tudo... e como dar conta dessa teia de sentimentos? São muitos fios, alguns se arrebentam, não tem como evitar, e que bom que se rompam, eles dão espaço para novos nascerem. E a espiritualidade o que tem com isso?  






A vida me deu de presente filhos tão especiais, que nem que eu viva mil anos poderei retribuir tamanha gratidão, avaliar o que eles sentem por mim e pelo meu marido é assustador, pois em cada olhar, cada palavra, cada pedido, cada sorriso e cada lágrima nos revelam a confiança que depositam na gente, os filhos quando crianças se jogam num abismo chamado pais, sem nenhum tipo de proteção, eles acreditam no que a gente fala e mais ainda: no que a gente faz. E pensam que sabemos tudo, que temos respostas para o que é "irrespondido", as vezes minha filha me diz: "tu é mãe, tu sabe o que é melhor pra nós". E o medo cresce... Eu falo muito, tenho a palavra como aliada, mas palavras escorrem, então tenho que dar vida ao que digo, é o tal do exemplo. Eles esperam tanto da gente...................... daí vem o desejo de ser uma pessoa melhor.





A ligação entre pais e filhos é tão estreita, tão de espera no outro, sinto que precisamos ser pais que dizem SIM pra vida, ser pessoas que autorizam o fluxo natural do mundo, precisamos nos permitir a evolução necessária para se viver bem e de bem com o outro, seja ele de que espécie for, seja qual for a sua escolha, precisamos saber respeitá-la, só assim nossos filhos respeitarão o UNIVERSO.










E as "escolhas religiosas"? Como tocar nesse assunto com as suas crias? Como ajudá-las a compreender a imensidão que é esse mundo repleto de deuses, crenças e "pecados"? Penso eu, devem ser feitas num caminho mais leve, com mais possibilidades, eu gosto de pensar que a espiritualidade é mutável, ou seja, não precisa ser intransigente, rigorosa, cheia de dogmas, de "ídolos", de ícones, de medos e de compromisso com a perfeição, prefiro a fé que liberta, que nos desprende, que nos ensina que o amor ao outro e o respeito por suas escolhas é que nos levará ao céu, não aquele céu imaginário, mas o "céu daqui", que aparece sempre que a gente, de verdade, quiser o vê-lo... é,  trata-se daquele vento que senti quando meus filhos chegaram, e já havia sentido o mesmo ventar em outras situações da minha vida, engraçado como eu amo o vento, talvez seja por isso que quando o sinto encho o meu peito com ele e tento espalhá-lo pelos cantos da minha existência, ouso em dizer: para alguns Deus é um evento, para mim: DEUS É VENTO. E sinto Ele por perto cada vez que me arrepio: com um "eu te amo"dito por um filho, com um olhar amoroso do marido, com um abraço demorado de mãe, irmão, amigo... de um desconhecido, sinto esse arrepio quando com afago os meus bichos, quando faço pão, quando bebo água, colho uma fruta, planto uma árvore, leio um livro (aqui  cabe uma conversa: minha filha uma vez me disse: "cada vez que eu pego um livro, ele fica vivo", isso é espiritualidade, é o sopro da vida), danço, canto, contemplo com tempo, sinto esse arrepio quando escrevo, quando pinto, desenho, quando dou de comer aos meus filhos, quando beijo meus sobrinhos, quando rezo, oro, medito... as vezes o sinto até no ócio, no osso... não amamentei meus filhos, mas quando os alimentei pela primeira vez, vi Deus, senti o vento soprar... por aqui nós dançamos do candomblé a música clássica, escutamos samba e ópera, e posso lhes afirmar o vento está nisso também, o arrepio se dá de dentro pra fora, essa é nossa espiritualidade: O ARREPIO DE DEUS DENTRO DA GENTE.







E as vezes o vento traz chuva, a melhor parte é se deixar molhar, ela lava, deságua em nós, descarrega (o descarrego), leva a chaga da dor, limpa, purifica, mas só faz isso pra quem deseja, essa chuva, esse vento são de fato divindades, mas não exigem veneração...
é desse Deus que falo para os meus filhos.





Demorei pra vir, nem sei quando virei novamente, mas deixo meu afeto, 
meu beijo e meu até outro dia! Bons ventos.









A Origem Das Coisas # A SEMANA





Sei que as postagens que cabem na postagem da Semana da Fernanda Reali, falam de fatos acontecidos durante a mesma. O tema que quero abordar tem me "afetado" há tempos, e esta semana ainda mais, então posso dizer que ele foi sim um acontecimento marcante.
Tenho me perguntado muito sobre a origens das coisas, ou seja, de onde vem tanto ódio, tanto preconceito. De onde vem essa incontinência verbal? Deliberadamente se acusam as pessoas por sua raça, credo, opção sexual, opção política...

Me questiono onde foi que se aprendeu a ser assim, em que parte da vida isso se deu. 
Então volto ao assunto EDUCAÇÃO, principalmente aquela dada em casa, recebida de quem nos cria. E não falo somente da cognitiva ou cultural, me refiro e quero mergulhar na EDUCAÇÃO AFETIVA, naquela em que ensinamos nossos filhos a ter respeito e empatia pelo outro, independente de suas escolhas e de sua origem.
O mundo está cheio de crianças que sabem falar mais de uma língua, entendem de informática, cultura, arte e talvez até de economia, sabem escolher o que querem feito adultos decididos e cheio de verdades, mas não sabem, ou não foram ensinadas a cumprimentar o porteiro, ou não são capazes de olhar para o lado e enxergar que há muito mais "coisas" na vida do que elas mesmas. Sim acredito que é de pequenino que se mostra as mazelas e as alegria que existem nesse mundo, repito o que já falei em outro post: se não as conhecerem, como poderão transformá-las? Costumo dizer: nem melhor, nem pior, apenas tento educar meus filhos para que tenham olhos atentos e tenham a capacidade de se colocar nos lugar do outro. Chocar-se com o que estamos vendo não basta, é preciso voltar-se para dentro, furungar nossos conceitos e crenças, mexer naquela caixa com ranços e mofos, deixá-la arejar......... Só uma lufada de ar poderá nos tirar do abafamento em que estamos vivendo.
Costumamos contar os acontecimentos do mundo aos filhos, de forma lúdica e geralmente mais doce do que geralmente são, mostramos principalmente os bons exemplos, acreditamos que ali se aprende mais do que em qualquer outro canto, mas os fatos tristes precisam ser conhecidos, eles trazem aprendizado, principalmente do que não seguir como modelo. Nem tudo é azedume, temos tantas coisas boas acontecendo também, que elas se multipliquem se espalhem, crie ramificações por todos os terrenos, até aqueles que parecem inférteis a ela!
O que tenho pra lhes contar é isso: nossa semana tem sido assim................ de aprendizado.
Fizemos um monte de outras coisas, mas preferi lembrar da semana desse jeito: falando da origem das coisas, onde tudo nasce, tudo vem, tudo cresce, se fortalece ou acaba.





Eu não tenho a triste pretensão de ter resposta pra tudo, sou uma pessoa e mãe cheia de questionamentos e erro muito também. Meu filhos irão para o mundo, sei bem disso, espero, torço muito para que eles sejam elementos de transformação positiva, afetiva e emocional nesse mundo de meu Deus!






Grata pela escuta!




A Teia


Vivemos numa teia, onde se entrelaçam ideias e pensamentos, palavras e sentimentos, se fazem ou se desfazem laços. Estamos num emaranhado de acontecimentos ruins e bons. Difícil pra mim é entender a maldade, a falta de solidariedade, a intolerância que em muitos momentos se espalha, se "agranda" chega até se agigantar. Alguém planta uma erva daninha ali e um tanto de outros colhem, regam, cuidam e espalham a mesma erva, só que aumentada e alimentada. Somos inerentes dos julgamentos, nunca sairemos ilesos, mas podemos escolher o quanto eles nos afetarão. Já disse Martha Medeiros: "Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter, somos juízes indefectíveis da vida alheia... A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã. Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só se permitirmos."
"Precisamos ensinar os filhos a tolerar". Quanto a mim, prefiro que eles respeitem, tolerar parece algo imposto, não aceito, não entendido, apenas tolerado.  
As vezes minha vontade é de sentar embaixo do pé de uma das minhas árvores e chorar, por vezes, faço isso, geralmente é um choro intenso, mas breve, porque tenho minhas crias pra educar e uma vida inteira pra ser feliz. Pois é: COMO EDUCAR OS FILHOS NESSA TEIA?
"Rosane, desse jeito tu vai criar uns ETs." Recentemente ouvi isso de uma pessoa, e tenho ouvido outras coisas parecidas. Não pensem que elas passam batido por mim, não mesmo, me questiono, reflito, converso com quem amo e confio, procuro informações e depois de tudo, volto lá para minha intuição, minhas crenças, meus valores, revejo-os, os reescrevo dentro de mim e uso a minha balança interior: peso, e refaço. Algumas Minto para mim mesma, as vezes, só para não ter que tomar outro caminho, pelo menos agora... Tenho alma na roça, com raízes fortes na simplicidade. Tenho em mim aquele tempo em que a gente parava pra conversar com um desconhecido, sem medo de que ele levasse algo de nós. Meus filhos não têm amigos por causa do sobrenome que carregam, ou porque os pais são bem sucedidos e influentes na cidade.  Na verdade, procuro a distância de tudo isso. Quero meus filhos crescendo com os bichos, em contato com a terra, com a natureza... Claro que estão conectados com a tecnologia, com a arte, com a cultura, com o aprendizado cognitivo, com os AMIGOS, com as riqueza e com as pobrezas, com a beleza e a feiura que existe no mundo, se eles não as conhecerem, como poderão transformá-las? Mas, confesso: as vezes meu desejo é criar uma bolha para vivermos dentro dela. Uma historinha: em um dos meus aniversários o marido me perguntou o que eu queria de presente, lhe respondi que queria umas mudas de árvores e flores, ele riu e me falou que queria me dar algo mais pessoal, então eu lhe disse: "me compra umas luvas, um avental e umas ferramentas novas de jardim", o marido riu e no riso saiu um eu te amo! Sou assim, se estou certa ou errada, nem sei... Mas o que esperar de uma menina em que a mãe esmagava folha de louro na testa entre os olhos para que eu sentisse o cheio da folha? 
Estamos vivendo num tempo que chove informações e discrepâncias. Pois bem nessa troca de verdade e inverdades, de desejos e escolhas muitas coisas se revelaram, vejo gente explorando pessoas indefesas, achando graça da desgraça alheia. NÃO SOU NENHUMA SANTA, nem a pessoa mais boazinha do mundo, erro, devo sim cometer maldades, sem percebê-las ou quem sabe até sabendo que as cometi, mas prezo pelo bem. Saber que pessoas próximas a mim enxergam a vida muito diferente e acham normal rir, denegrir, humilhar... Me faz refletir ainda mais sobre o que quero por perto e o que quero bem longe. Eis que nesse emaranhado de coisas tivemos que escolher a escola dos filhos, lá fomos nós nas mais tradicionais e indicadas. Não existe escola perfeita, ainda bem, mas alguns valores realmente se perderam no meio do caminho, não que seja lá a única fonte de tê-los, em casa é que eles se fortalecem, mas acredito que a escola é sim muito influente na educação dos nossos filhos. Por fim escolhemos uma escola que julgamos andar num caminho muito próximo ao nosso, onde o ser humano é mais importante do que qualquer "coisa". Uma escola que tem uma pedagogia voltada para o ser. Católica, mas que respeita todas as outras, no último dia das mães fizeram uma celebração ecumênica: convidaram pastores, padres, budistas, espiritualistas e ateus para darem seu depoimento de FÉ. Achei tão lindo... 
Me sinto bem a vontade em escrever sobre isso aqui na minha caixinha de sapato virtual, temos muitos amigos, porém por alguns deles eu sou meio que uma "ovelhinha negra", pois nossos assuntos e anseios pouco têm em comum, mas essa diferença também faz bem, também ensina, se apara arestas e se refaz conceitos: Um dia levamos nossas crias num evento no shopping, com um grupo de amigos e seus filhos. Na hora de fazer um lanche, sentamos todos na praça de alimentação, ao nosso lado tinha uma mulher gordinha com uma calça bem justa, e daí?? Duas das mães do nosso grupo começaram a fazer deboche, na frente de todos e da filharada: "Se isso é andar na moda então? (risos) Por favor gente... Cada um no seu quadrado.... Essa gordinha não se enxerga." Ninguém falou nada, algumas crianças riram (principalmente os filhos delas). Quando estávamos sozinhos a Raquel me disse: "Né mãe que cada um é do seu jeito, né que cada um pode ser gordo, magro, tatuado, branco, negro, cabeludo..." Me dei conta de que ela estava se referindo a situação vivida anteriormente. Fiquei bem feliz! Desculpa, mas não quero ficar perto de gente assim! Nunca falei ou falo mal de ninguém? Claro que sim, sou humana, mas não desse jeito, não desse jeito, de outro, de outro.............. Não julgo aparências, nunca escolhi amigos na vida por isso. 
Cada um com seu cada qual, cada um que busque aquilo que entende por felicidade. Eu sou sim bicho do mato no que diz respeito a civilização, mas não me poupo e nem pouparei meus filhos do mundo, nem posso fazer isso, não vivemos isolados, fazemos parte da teia, no entanto tento lhes mostrar o que acredito, depois a escolha será deles, e acredito que saberão escolher o melhor! 

Bom gente, escrevi demais, misturei tantas coisas,  
tudo isso pra lhes dizer que eu NÃO TENHO A FÓRMULA 
da boa educação, erro e muito, mas sei de uma coisa: tento educar meus 
filhos para que tenham a capacidade de se colocar no LUGAR DO OUTRO
 nessa TEIA CHAMADA VIDA! 






Um beijo e meu respeito!



Alimento Para a Alma




Perdemos, GANHAMOS muito tempo na cozinha, por aqui ela é a alma da casa e nela fazemos o que alimenta a fome e também o espírito. Desde pequena sempre vi minha mãe se dedicando a lida de cozinhar, e ela faz isso como ninguém até hoje. Lembro de comer "coisas" da padaria depois de grandinha, aqui cabe uma história: Um dia saímos eu, meu pai e minha irmã, daí nosso pai nos levou numa padaria e escolhemos um doce, eu escolhi uma rosca toda açucarada, nossa...! Me lembro que eu mal podia esperar para devorá-la. Quando dei a primeira mordida, contava meu pai, que já comecei a choramingar e dizer: "minha rosca tá cheia de bichinhos!". Por mais que ele tentasse me explicar que aquilo era erva doce, de nada adiantava, não quis mais o tal doce e disse: "QUERO O PÃO DA MÃE!" E sabe que eu ainda sou essa menina, amo comidinha caseira, coisas feitas em casa, sou apegada, fazer o quê?!






Isso dito, queria lhes contar um pouquinho do que penso sobre alimenta-se bem, claro que em prosa e verso, é assim que sei fazer: 
Alimento tem que fazer bem, isso quer dizer: nos fazer feliz! O saudável, o mais natural, aquele buscado ali no quintal tem grandes chances de fazer isso com a gente, mas um bolo com cobertura de chocolate também, assim como um bolinho de chuva quentinho com café nos faz sorrir. O importante é o tal do equilíbrio, equilibrar-se entre a ROÇA e a cidade. Sou mais da roça, do quintal e do pomar, mas também vou pra cidade as vezes... Temos tentado cada vez mais reduzir o consumo no supermercado, e tem valido a pena, claro que não vivemos só do que produzimos (sonho meu, difícil, mas ainda assim é sonho meu). Temos muitos pés de frutas, mas fazem quase dois anos que nossa horta foi para os vasos, pois a cachorrada a invadiu, tudo bem, logo, logo ela voltará a reinar por aqui, sou daquelas que amam ver a transformação da semente minúscula num alimento cheio de vida. Não costumamos consumir alimentos com agrotóxicos e qualquer tipo de fertilizante químico, isso não faz parte da nossa ROTINA, escolhemos consumir os alimentos orgânicos, é a nossa escolha há 13 anos, compramos na feira, pois lá é mais em conta e são de excelente qualidade. Eu sempre fui "natureba", mas preciso dizer: amo doces tipo: bolo, bolinho de chuva, cuca da mãe, doce de abóbora, de figo, amo chocolate (opto pelo amargo, mas também amo o mais docinho), gosto muito de pizza, de lasanha (de novo da mãe), e tantas outras delícias, não deixo de comê-las, mas lá vem ele de novo: o EQUILÍBRIO. em suma: nossa alimentação é linear, com algumas curvas no caminho, curvas que trazem prazer e doces lembranças... Entendam que prazer não tem nenhuma relação com envenenar-se com comida industrializada, aqui em casa "porcarias" tipo balas, pirulitos, salgadinhos, biscoitos recheados não têm vez, opção que os filhos só conhecem fora de casa, mas sem paranóia. O mundo lá fora está cheio delas, acreditamos que se eles aprenderem desde pequenos o que faz bem e o que não faz, terão mais chances de também fazerem escolhas saudáveis.  O assunto alimentação parece ter um anjinho e um capetinha, cada um com seu palpite, o bom mesmo é ouvir o coração que bate e te conta entre uma batida e outra O QUE É MELHOR PARA VOCÊ! O meu diz ECA, para muitas coisas, não gosta de nada muito artificial, prefere feijão do que carne, (aliás carne aqui só tem aparecido nos finais de semana ou de vez em quando) prefere pão caseiro do que o de padaria, prefere os verdinhos do que os enlatados,  gosta mais dos alimentos  coloridos do que os pálidos, mas esse é o meu coração. 












Eu bebo sim e vou vivendo... Adoro sucos naturais, mas as vezes me bate o desejo de um refrigerante com bolhinhas, mas só as vezes, AMO café e chimarrão,  gosto de um chazinho não com o mesmo afinco que os filhos e a sobrinharada, eles amam, e por isso sempre tem um "capim" pra colocar uma água quente por aqui.




Gostamos muito de uma cervejinha compartilhada, ou um vinho que prorroga a conversa entre os amigos, entre os amores e se tiver um pão, ah... Espera aí que isso é um capítulo a parte.


PÃES: eu amo, eles amam, nós amamos.


























Essa é minha maneira básica de fazer pão, vou mudando as farinhas: integral, centeio, branca, de aveia e por aí a fora. Também invento, coloco passas, nozes, castanhas. damasco, mel, o que tiver em casa.

Ingredientes:
4 copos de farinha de trigo integral
3 colheres de chá de fermento biológico seco
2 ½ copos de água morna (prefiro com leite)
1 colher de chá de sal
1/3 copo de óleo
2 copos de farinha de trigo branca

Modo de preparo:
Numa tigela, misture a farinha integral, o fermento e a água com a ajuda de uma colher de pau. Cubra com um pano e deixe descansar por 10 minutos. Adicione o sal, o óleo e a farinha branca. Misture com as mãos até a massa ficar bem homogênea. Leve a massa para uma superfície lisa polvilhada com farinha e amasse muito bem por volta de dez minutos. Adicione mais farinha se precisar. Unte suas formas de pão ou forre-as com papel manteiga e distribua a massa entre elas. Deixe a massa descansar por uma hora em um lugar morno. Ligue o forno à 180ºC e coloque os pães pra assar por 30 minutos. Retire do forno e retire da forma antes de esfriar completamente.

Conselho meu: NUNCA ESPERE ESFRIAR, COMA-OS QUENTINHO, traz mais acalanto.


Uso a farinha integral em tudo, até nos cremes para engrossá-los, sejam doces ou salgados e nessa receita que é super aprovada por aqui.


Bolo Salgado Integral de Atum

















Ingredientes:
2 copos de farinha de trigo integral
1 colher de fermento (aquele par bolo)
1 copo de leite morno
1 colher de chá de sal
1/3 copo de óleo

2 ovos
1 copos de farinha de trigo branca

Atum
Molho de tomate
Queijo tipo mussarela (ricota, minas, mussarela de búfala...)
Azeitonas, tomate, orégano

Modo de preparo: 
Numa tigela, misture todos os ingrediente com uma colher de pau, deixe a massa bem uniforme e mais mole do que dura, se precisar vá dosando o leite. Coloque metade da massa numa forma untada, coloque o recheio (misture o atum como molho de tomate caseiro de preferência, as azeitonas, tomate picadinho, queijo, e o que mais você quiser inventar) e depois o restante da massa, Cubra novamente com queijo e salpique orégano. Leva a o forno até dourar. Quentinha com uma salada... Delícia!!

Falando em salada, AMAMOS também, eu e o Enzo largamos qualquer outro prato por um bom refogado de legumes ou uma travessa cheia de "patinhos", A Raquel e o marido também gostam, mas bem menos entusiasmados. 




Os grãos são granola salgada que eu mesma fiz: aveia, gergelim, quinua, trigo
 e o que você quiser colocados numa forma e no forno até dourarem. 
Depois coloco um azeite de oliva e sal, fica m a r a v i l h o s a!









Sopa creme de milho: conforta, cura, e faz esquecer...




Então ficamos assim: uma alimentação saudável deixa a gente mais feliz e bolo de chocolate, pãozinho de canela e bolinho de chuva também!












Preciso dizer: frutas são a fonte mais doce de alimentar o corpo e a vida, desfrutadas debaixo do pé são acrescidas de alegria e um sabor de pomar, mas também vale experimentá-las em qualquer outra parte da casa, da rua, da cidade... Do mundo!!















Doce de goiaba: no pão, no queijo, puro... Aqui, agora, a toda hora!



Seja lá qual for suas escolhas, faça-as também pensando no que alimenta o espírito: compartilhar um cafezinho com quem se ama, desfrutar de um bom prato de massa com os amigos, descascar fruta com as mãos, comer com a família, cozinhar com afeto mesmo que seja só de vez em quando... SER GRATA PELO QUE SE TEM NA MESA! Relendo a postagem percebi que usei muitas vezes a palavra amamos, pois é alimentação e AMOR andam juntos...



Como já disse várias vezes: aqui é minha caixinha de lembranças, por isso guardo as mais doces
 e as tristes por aqui, perdemos nosso amado Hubert, ele se foi mas deixou em nós um AMOR 
do tamanho dele: gigante, levou um pedacinho de nós, e quando nos 
reencontrarmos será felicidade outra vez. Te amamos grandão!



Um beijo carinhoso!






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