09/08/16

Vida Que Segue


Desapareci daqui e de outros tantos lugares... na verdade eu estava me reencontrando, aprendendo que sou limitada, como qualquer outro mortal. Perceber, mesmo na marra, que chegamos no nosso limite, nos salva. Saber-se limitada requer consciência, saber que é hora da "poda" para continuar viçosa e forte feito planta é passo importante pra se manter vivo. Eu me via crescendo frondosa pessoa: mãe, mulher, esposa, filha, irmã, tia, amiga, cuidadora de bicho, do lar, estudiosa, ilustradora, fotógrafa, artista, carpinteira, pedreira, escritora, ilustradora, psicóloga, deus, buda, alá... e lá, lá, lá, eu achava que dava conta de ser "tudo" e mais um resto de coisas e gentes, empurrando minhas necessidades físicas para um cantinho, daqueles que a gente visita só de ano em ano, só pra fazer a faxina no sótão. De repente, me vi rendida...o meu corpo me parou, ele havia me dito: "Estas dores que você sente são mensageiros. Ouça-os. Fechei minha boca e falei com você em uma centena de maneiras silenciosas." (Rumi) , mas você fingia-se surda.




Há uns cinco meses tenho sentido dores abdominais e nas costas, eu tomava um chá, um remedinho para a dor... não escutava meu corpo, ou melhor, não "tinha tempo" pra correr atrás disso, marcava e desmarcava minha médica na mesma frequência que as dores iam e vinham. Eis que nos últimos dias as dores se intensificaram, fui ao médico e nos meus exames constava;  imunidade  baixa e um início de anemia, medicada voltei para a rotina, confesso que mais devagar do que o normal, mas lá fui eu correr atrás das minhas coisas e das dos outros. Na semana que passou fiz novos exames e tomografias de urgência, as dores eram agora por todo o corpo, um mal estar geral... eu estava com uma infecção urinária bem séria (bexiga com sangue e secreção), além de uma gastrite que impedia de eu me alimentar e com os níveis dos minerais que nos deixam em pé quase zerados, por conta de tudo isso fui hospitalizada durante quatro dias, novos exames, muitos medicamentos, antibióticos na veia, 5 horas de potássio ,via veia também, por dia e soros para me reerguer.
Uma angústia tomava conta de mim durante o tempo que me vi internada num hospital, tantos pensamentos passavam pela minha cabeça enquanto sentia meu corpo doente... eu era uma ausência de mim mesmo, uma apatia estranha e desconhecida, era meu corpo pedindo ajuda para minha alma, ou o contrário, impossível ensurdecer diante de um pedido desses... era uma saudade de casa misturada com uma saudade de mim... forte que sou, sei que sou, acho que sou; felizmente me mantive numa vibração de amor, desses amores que curam tudo.
Há alguns dias em casa (aleluia mil vezes) me fortaleci, descansei, estou muito bem.  Não via a hora de voltar! Me ver numa cama, prostrada, logo eu que nunca paro, era muito torturador. Eu pensava o tempo todo na minha família, na bicharada, nos amigos, etc, etc e etc, respirava fundo, olhava pra dentro e sentia que o melhor naquele momento era pensar em mim (nada fácil, mas exercitando a gente consegue), eu precisava ficar bem, voltar bem. 
Escrevo tudo isso para compartilhar com vocês o aprendizado que tive com a dor, (a luz entra na gente pelas feridas abertas). NÃO HÁ COMO CUIDAR DOS OUTROS SE A GENTE NÃO SE CUIDAR, se a gente não olhar para o lado de dentro, para as mensagens “silenciosas” que a vida, o corpo e a alma nos mandam, era hora de eu parar um pouco, escutar as minhas necessidades, esqueci de me envolver comigo, ou melhor: só comigo, pois eu estou dentro de tudo o que estava emergida, mas no meu silêncio eu procura a escuta alheia ao invés da minha. Além de tudo o que tenho por fazer e viver eu corria feito doida atrás de doações para algumas pessoas, corria atrás de suprir as carências dos animais da rua, entre outras coisas... e não pretendo parar de fazer tudo isso, mas preciso fazer de forma equilibrada. Sempre ensinei para os meus filhos: “primeiro os outros”, a frase não é essa, o ensinamento não é esse. O aprendizado tem que ser: olhar atento para os outros e suas carências, mas sem fechar os olhos para nossas próprias necessidades e desejos! Eu não quero mais tempo ou que meu dia tenha trinta horas, eu só preciso respirar profundamente, encher meu peito de ar, administrar melhor minhas escolhas e respeitar meu cansaço, a responsabilidade do que faço com os meus dias é totalmente minha e não pretendo deixar de fazer nada do que amo fazer, eu sou assim: inquieta e curiosa, não são as "obrigações" e tarefas que me tornaram assim, sempre fui, quando não havia muito o que fazer, eu inventava, ainda invento. Falo sempre com Deus e por vezes eu e ele discutimos intimamente sobre esse meu jeito de ser, já cheguei pedir a ele que me acalmasse, ele disse (no ouvido da minha alma) que eu morreria. Vivo intensamente tudo o que me proponho a fazer, me entrego e sei que não conseguiria ser diferente, o que eu estava desconsiderando era que preciso de um tempo só pra mim, pra dar uma caminhada sozinha, voltar a meditar, fazer exercícios, dançar,  sair,  tempo pra eu me cuidar sem ficar pensando em todo o resto.








O processo de me enxergar, de me respeitar, de me permitir limitada, de me reconhecer fraca, de me entregar ao cansaço, de escutar o canto do meu peito e as batidas do meu coração e de me observar foi e é fundamental, a partir dele tenho desenhado mudanças corajosas e difíceis pra mim, aos poucos vou reconstruindo meu jeito de fazer as coisas, nunca poderia deixar de fazê-las, pois quando faço o que amo é como se um rio claro e puro corresse dentro de mim, me hidratando e regando minhas securas, o que preciso é aprender a canalizar melhor essas águas.
Quase morri de saudades dos filhos, nunca havia ficado longe deles tanto tempo e numa situação tão dolorida, quando os revi tive a certeza de que ficando perto, cuidando e sendo cuidada por quem amo tem um efeito banho de água límpida e AMOROSA sobre minha alma, como esse que ilustra essa postagem.




Estamos todos bem e mais fortalecidos, quero agradecer a minha família e a duas amigas-irmãs; Gabi e Simone que me ajudaram a passar por esse caminho, sei que o que passei é peso leve perto do que muitas pessoas passam em relação a falta de saúde, dores ou doença, dificilmente alguma coisa tira meu desejo de viver e de ser cada vez mais feliz, com infelicidades no meio, então gente querida: É VIDA QUE SEGUE.

 Grata total pelo carinho e respeito.
  

03/05/16

O amor cura antes mesmo de se diagnosticar as feridas





Eu não sabia muito bem por onde começar a escrever esse texto, tinha medo, pois entre quem escreve e quem lê existe um distanciamento, falta o olho no olho, e nesse vazio podem se estruturar rótulos, interpretações erradas e até mesmo expectativas falsas, mas precisava escrever, quando escrevo as palavras saem de mim, dão a volta no mundo, ecoam e voltam transformadas, ou ainda mais: melhoradas. Pois bem, passei um café e cá estou de coração aberto.
Nosso filho, o Enzo, não se adaptou a escola, tentamos, por vinte dias, levá-lo, acompanhá-lo, incentivá-lo, a escola por lá fazendo sua parte, percebo que as escolas de um modo geral estão despreparadas para o "diferente" ou para o ainda não vivido, os profissionais têm pouco manejo e muita falta de conhecimento. Ele voltava da escola entristecido e meio assustado. Cada vez que eu ia buscá-los ele corria para meus braços me abraçava forte e dizia meio suspirando: "a mãe me buscou, a mãe me buscou!!" Dizia isso com alguém que estava com medo de que isso não fosse acontecer: "o buscar". Eu chorava escondida, pois sentia que ele estava sofrendo.
Nosso pequeno sempre teve um desenvolvimento normal, andou no  tempo esperado, falou no tempo esperado, sorria muito, se comunicava com olhares, choros e balbuciou, olhava-nos nos olhos, sempre nos chamou atenção sua afetividade, ele é extremamente afetivo com todos, sem distinção.
Percebíamos que nosso filho se diferenciava em alguns aspectos: aprendeu o alfabeto (em português e inglês) com dois anos e três meses, as cores, as formas, os numerais vieram logo em seguida, também nas duas línguas, hoje aos quatro anos ele fala e sabe o significado de mais de cem palavras em inglês, reconhece cores, números, letras, formas, canta centenas de músicas, reconhece e nomeia corretamente objetos que nós adultos as vezes nem sabemos pronunciar, fala as palavras de forma correta, os plurais, é educado, usa as palavras de gentileza com todos, AMA incondicionalmete os animais, sua "cachorrada" então... corre, dança, pula, etc, no entanto se recusa a deixar a mamadeira, essas coisas me chamam atenção, pois além de atenta já trabalhei com educação e desenvolvimento infantil por tanto tempo e tive dez anos de aprendizado e envolvimento na área da educação especial. 
Construímos um ambiente propício para o desenvolvimento tanto dele quanto da nossa filha Raquel, desde que eles chegaram há quase quatro anos minha dedicação a eles é total, realizamos muitas coisas, principalmente na área das artes: visual, música, teatro e dança, também e com total importância falamos muito sobre o planeta e tudo o que nele vive: todas as espécies, sem distinção, sem esquecer nenhuma, da formiga ao ser humano, tudo e todos são respeitados por nós, as letras e todo o resto vieram junto, essa é a nossa melhor parte: brincamos e aprendemos em meio as tintas, as músicas e a natureza. No meio de tudo isso íamos percebendo que o Enzo se diferenciava de algumas crianças da mesma idade que ele, cientes de que cada um se desenvolve de um jeito e no seu tempo, levamos isso em conta sempre, mas haviam algumas coisas que nos chamavam a atenção, principalmente em seu desenvolvimento psíquico, enquanto seu lado intelectual avançava de forma surpreendente, percebíamos que alguns aspectos básicos do desenvolvimento infantil pareciam ser mais difíceis para ele, como por exemplo: vestir-se sozinho ou escovar os dentes, ele não apresenta dificuldade motora, mas não se concentra no fazer e a ansiedade impedi que realize essas coisas com exito e acaba se frustrando. Observamos também que sua linguagem apesar de rica em vocabulários, se restringe em alguns momentos, de novo a ansiedade, e acaba repetindo frases aleatoriamente, além disso o seu interesse específico por determinadas coisas: música, instrumentos musicais, livros, máquinas de todos os tipos (aparelhos eletrônicos a eletrodomésticos) nos intriga. O que de fato me deixa mais preocupada é que ele faz muito pouco a brincadeira simbólica, a exploração do brinquedos é mais especulativa, a curiosidade comanda o brincar, por outro lado ele explora o simbolismo e brinca muito quanto nos fantasiamos de outros personagens, basta colocar um chapéu e a brincadeira começa de forma linda e criativa. Tudo isso e mais nos levaram a procurar um neuro pediatra, queríamos investigar e descobrir o "porque" das coisas. Estamos nesse processo e tentativa há um ano, já ouvimos neuros, psicólogos e psicopedagogos, infelizmente aqui em Caxias do Sul, (não posso generalizar) mas nos profissionais que fomos nos pareceu claro um despreparo para lidar com o que nosso filho vinha apresentando, o atendimento está meio programado no piloto automático e a resposta é: 'medicamentos!!" não que isso seja descartado, mas precisamos de um diagnóstico mais preciso ou o mais próximo possível do real, fomos então consultar profissionais de Porto Alegre e foi como se uma luz acendesse em nós, uma neuro pediatra muito capacitada e experiente nos indicou caminhos, nada rígido e tão pouco um diagnóstico preciso foi apresentado até agora, pois o comportamento do Enzo não se encaixa em nada 100%, ou seja, ele tem algumas atitudes que se encaixam no espectro autista (asperger) por exemplo, mas por outro lado sua afetividade e sua autonomia não se enquadram nesse diagnóstico. Seguimos investigando e procurando respostas, estamos sendo assistidos por duas profissionais da Porto Alegre e uma daqui, pessoas nas quais acreditamos e percebemos um conhecimento que vai além dos livros. Já se pensou em tudo e de tudo: transtorno de ansiedade, asperger, transtorno por separação (nesse caso da mãe) por toda a sua vivência intra uterina e pós concepção que foi traumática e marcante, já pensamos em hiperatividade, enfim muitas coisas foram cogitadas, mas nada concluído. Ele tem uma memória invejável, se apropria do conhecimento com uma facilidade gigante, mas essa memória também tem seu lado negativo, pois parece que ele reviveu o trauma do abandono inconscientemente ao ficar na escola, desde lá ele não tolera frustrações, por vezes ele parece um menino sem limites, mas não é, (pausa, suspiro...). Já enfrentamos algumas situações de difícil manejo com ele em lugares públicos ou mesmo em casa, mas preciso e devo lhes contar: O AMOR SALVA, CURA E RESTAURA ELE E NÓS, e por mais que eu já tenha escrito, é aqui que inicio meu texto de verdade, é aqui que começo escrever as palavras que me norteiam e que me transformam todos os dias. Ainda não sabemos bem por onde ir, para onde ir, mas temos certeza que estamos a caminho do melhor, tenho ao meu lado um marido e pai maravilhoso que aprende, cresce e se apropria comigo das coisas que a vida nos lança, sou imensamente grata pela família que tenho, todos (avós, tios, primos...) amam incondicionalmente meus filhos e isso é tudo. O Enzo é um menino incrível, muito feliz e amado, nos ensina todos os dias, nos dá lições que nunca aprenderíamos sem ele, me motiva particularmente a ser uma pessoa melhor. Ouvi isso de uma das profissionais envolvidas conosco nesse processo todo: "talvez ele não tivesse se desenvolvido tão bem até aqui, se não fosse o amor, a dedicação e os estímulos dados a ele por vocês..." e mais: "penso eu que vocês o ""salvaram"" de um possível autismo, e as lacunas existente nele agora foram constituídas e estruturadas antes dos oito meses, antes de vocês o tê-lo". Guardei comigo a parte do AMOR, pois sei bem que atrás ou dentro dele está todo o resto. Não quero  pensar que o salvamos de nada, mas que o amor salvá-nos de tudo. Este ano eu ia reabrir meu atelier, escrever meus livros, fazer minhas ilustrações, voltar a dar aulas, voltar a dançar, sair mais, escrever mais, desenhar mais... e cá estou eu AMANDO mais, aprendendo mais, me dedicando mais a missão do momento, sou dessas que encaro as coisas de peito aberto, choro sim, para aliviar o peso das cargas, mas não enfraqueço e muito menos desanimo, pelo contrário, nas adversidades que me reconheço, acredito na letra de uma música do Milton Nascimento: "só o tempo vai me revelar quem sou", é isso: o tempo e a vida me revelando quem tenho que ser agora, por ora, por hoje, amanhã e depois é outra vida, outra página, outro livro, vou vivendo aquilo que o universo e que Deus me reservam, sem lamentos, sem reclames. Só o tempo e eles, os meus filhos podem revelar quem sou por agora, Enzo e Raquel não chegaram por acaso, vieram porque tínhamos um encontro marcado, o mais lindo de todos que já vivi.
Das coisas que tinha me programado para fazer, voltei somente para a dança, através dela me conecto comigo mesma, e percebo que não sou mais apenas uma, sou muitos. Sou tão grata por tudo o que tenho e por poder ser a mãe que sou, erro muito, acerto as vezes, aprendo muito, ensino as vezes. Lembro bem do dia que buscamos nossos filhos, lembro que era quase certo de que o Enzo seguiria pelo resto da vida tomando medicamentos para asma, bronquite, etc... pois ele não toma nada, raramente adoece, a gripe passa longe dele, é extremamente saudável, se alimenta muito bem, tem o sorriso mais largo e lindo que conheço e me faz amar da forma mais larga e linda que sei.  Pode ser que não seja nada e que emocionalmente as coisas se organizem e ele acabe superando tudo isso com um acompanhamento psicológico, pode ser que seja algo que precise de medicamento, pode ser que precise de tudo isso junto, pode ser isso ou aquilo, ou ainda outros issos ou nada disso......... Algumas pessoas me disseram que ele pode ser uma criança índigo, estudando isso também....... Não tem sido fácil viver com esse turbilhão de coisas, mas não me lembro ter pedido facilidades nessa ou em outra vida, me recordo de pedir felicidades, e com infelicidades no meio, sou muito feliz! 

13/01/16

O Lado B da Vida









Tarefa nada fácil preservar e estimular os sorrisos e o brilho nos olhos dos filhos, esse jeito saudável e alargador, além de ser um presente de Deus e do universo, tem o dedo de mãe e de pai, ou melhor, tem o corpo e a alma dos pais. Meus filhos raramente ficam doentes, acho que em 2015 fui apenas uma vez num plantão médico por causa de uma alergia do Enzo... sorte? Pode ser, um pouco, mas são dias e dias de cuidado com a alimentação, com o brincar, com o saber e viver de todos nós.
Caminhamos pela grama descalços, sentimos seu toque suave, seu frescor e esquecemos a trabalheira que deu e que dá para mantê-la assim. O universo, além de prover, ele sopra, mexe, remexe, conspira e nos carrega pra muitos caminhos, não vivemos e nem podemos viver a revelia de tudo, o amor, a força, a união, a felicidade não caem do céu bem encima da gente!  Lemos um livro e avaliamos o final, vemos uma bela casa construída e pensamos o quanto deve ser bom e "melhor" viver nela. Enxergamos o lado A da vida de alguém e pensamos: "que P E R F E I T A, como Deus e o universo foram  generosos com ela". A gente tem por costume esquecer do caminho e julgar só a chegada... Recebo alguns emails de pessoas que nem conheço pessoalmente, a maioria delas me conhece pelas redes sociais. Antes do final do ano recebi um que me parabenizava pelos filhos, pelo jeito de eu levar a vida, etc e etc. Li umas cinco ou seis vezes a palavra "perfeita", acrescida das palavras vida e maternidade, fiquei pensado nesse "resultado final" da vida que a gente compartilha com o mundo por aqui e por ali. Pois bem, pra se chegar a ele dou conta de muito trabalho, a vida e a maternidade não são perfeitas, mas me trazem resultados felizes, e pra se chegar neles... ah, quanto caminho para percorrer. Fazem três meses que não tenho nem faxineira pra me ajudar com a casa, a minha foi morar em outra cidade, ainda não consegui substituí-la. Eu lavo, estendo, passo, varro, lavo, seco, limpo, esfrego, lavo, estendo, passo, cozinho, limpo outra vez, recolho cocô de cachorro lá fora, organizo brinquedos, organizo papeis, cuido do jardim, cuido do pomar, cuido dos filhos, cuido dos cachorros, cuido de mim,cuido dos outros, cuido da vida... tudo isso com a ajuda do marido (que também trabalha fora).  As vezes olho para o cesto de roupas e acho que nunca mais vou conseguir esvaziá-lo, corro atrás dos filhos, tento brincar o máximo possível, ensiná-los os valores importantes, nutrí-los de saberes e de vivências sociais, culturais, artísticas e humanas, todos os dias tem bronca, as vezes bem séria,  as vezes nem tanto, e é um tal de: ajunta aqui, guarda ali, pega lá, escuta a mãe, escuta o pai, ESCUTA O OUTRO, escuta a vida, põe reparo nela e em todos que te rodeiam: humanos, animais, vegetais e tais... é bem assim que é o lado B da vida: de LUTA.








Lembro quando mostrei o filho menor comendo sozinho pela primeira vez, uma foto linda, feliz e emocionante, pois é, mas pra se chegar ali foram inúmeras tentativas, com choros, com incentivo, com risos, com bronca, com limpa aqui e acolá, e esse processo continua: ajuntando arroz, farelo e sucos derramados no chão... nada fácil essa maternidade, nada de perfeitos esses pais que choravam juntos por não conseguirem tirar as fraldas do filho que já estava com três anos, sem contar o acompanhamento no processo escolar da filha, nas dores que a infância traz, nas escolhas difíceis que são necessárias, nas horas de sono perdido, na batalha que é educar os filhos para o bem deles, dos outros, para o nosso bem e do planeta, pois é, parece perfeito a mãe fazer pão, comida saudável, correr pra feira as 6 da manhã, cuidar da horta e do pomar, mas há os "entretantos" e são tantos. Há poucos dias fiz picolé de manga, abacaxi e limão, ficaram lindos e deliciosos, todos amaram, fiz com uma afeto enorme e com aquela vontade de ser feliz (necessária pra nos manter vivos), mas lembro de olhar para toda aquela sujeirada na cozinha e pensar: seria bem mais fácil ir ali no Pedro (mercadinho perto de casa) e comprar tudo prontinho, mas não é assim que sou, gosto do fazer, gosto que meus filhos e marido façam, construindo juntos sabemos avaliar melhor e com mais sabedoria o quanto viver conforme algumas escolhas não é tarefa fácil. A vida aqui anda a mil por hora, as vezes o coração tá na boca, as borboletas no estômago, mas outras vezes a lágrima está nos olhos, a dor está no corpo e na alma, é aí que a vida pega, é aí que de verdade faremos a prova, o teste de resistência pra se viver nesse mundo de meu Deus. Aprendi a viver de peito aberto, sem muito descanso, colocando reparo nas lindezas que se manifestam no caminho e tentando driblar as feiuras que fazem parte da nossa condição humana. Sim, eu tenho filhos lindos, bem educados, inteligentes, sensíveis, mas é luta diária tentando passar pra eles o que realmente importa... sim eu tenho uma casa boa, iluminada, feliz, mas é luta diária de acordar cedo e dormir tarde... sim, eu tenho um marido parceiro, amigo e amante, mas é luta diária para manter isso vivo... sim eu amo cozinhar, inventar, fazer pão... mas é luta diária de reinventar tempo pra isso... sim eu crio, pinto, desenho, restauro, construo com e para os filhos ou sem eles e sem ser para eles, mas é luta diária.







Precisei abrir mão de algumas coisas pra me entregar a maternidade, a educação dos filhos e a casa, não me arrependo de nada, não lamento nada, eles estão bem, todos estamos bem, nesse ano volto a fazer algumas coisas que deixei pra trás, e volto mais feliz, com mais bagagem, mais vontade, com mais sabedoria e com mais amor. É isso, a vida tem tantos lados: A, B, C, D, somos muitos em um só, somos o resultado das escolhas feitas por nós e daquelas que nem podemos escolher, só viver... e vivemos tantas coisas: perfeitas ou não, felizes ou não...ainda assim VIVEMOS, não tem outro jeito, eu danço os ritmos que o universo me dá, mas saibam: faço minhas melodias, meu ritmo, luto, luto e luto... não fico aqui sentada esperando a vida passar e me trazer a felicidade numa bandeja de prata! E justamente a maternidade foi um dos processos mais difíceis, foram longos dias de três anos esperando meus filhos chegarem (nascerem).








Feliz tudo pra vocês tudo!



28/09/15

CHEGAR É NASCER





Sim, chegada é nascimento, (re) encontrar os outros é fazer nova família.
Sempre que se chega em um novo lugar-casa-gente-espaço o peito se despolui da poeira antiga, de ranços passados. Dentro da palavra chegar cabe tantas coisas, ela tem peso, altura e largura que abraça, é uma palavra corpo. Meus filhos não nasceram de mim, mas chegaram pra mim e chegar é se ver de perto e se ver de perto pela primeira vez é nascer um pro outro. São meus filhos desde o dia que nasceram meus, e minha família se fez mesmo nascendo longe, porque a chegada estava próxima, bem perto. É difícil definir com clareza quantas possibilidades de família existem e "convencer" os outros de que você pariu seus filhos mesmo estando ausente no dia do parto.  
Quando vi meus filhos pela primeira vez, senti uma dormência no corpo, tal como dizem sentir as mulheres logo depois de parir, era a chegada deles em nossas vidas. Assim como se faz força para dar a luz, meu corpo fez força, minha alma fez força, em cada etapa do processo de adoção, em cada entrevista com a psicóloga e a assistente social, fiz força durante três anos: meus olhos se esforçavam para visualizar como seriam meus filhos: cor do cabelo, dos olhos, da pele, da boca, como seriam suas mãos, seu olhar, seu tamanho, o volume da voz, quantos anos teriam quando CHEGASSEM pra nós, e esperar por essa CHEGADA foi o maior esforço de todos, era gravidez sem data e nem proximidades marcadas, era espera sem poder contar o tempo, eu e o marido achávamos o tempo um "deus" malvado,  e precisamos fazer força até para nos mantermos unidos como casal, a vida pedia pra gente andar e o queríamos era voar. Sempre tínhamos pressa de que amanhã chegasse, e que hoje já fosse ontem, era um esforço tremendo respeitar o tempo........... e quando chegou a hora do parto, depois de ver as carinhas dos filhos, o corpo amorteceu, o AMOR TECEU. 
Definir família é tarefa singular que depois vira plural, tantas vezes precisamos juntar pedaços de nós por aqui e por ali para só depois saber quem somos e quem são os nossos pares e ímpares, vamos juntando e ajuntando tanta coisa e tanta gente pelo caminho. 
Os laços consanguíneos nem sempre são os mais fortes, e também não são, para muitos, compromisso de amor e zelo. Não preciso lhes contar tudo o que meus filhos passaram com seus pais biológicos, mas posso lhes dizer que muitas vezes os enxerguei nas lágrimas dos nossos pequenos. Nossa filha nos conta de algumas lembranças doloridas que tem, nós pais: filtramos os fatos, atribuindo-lhes uma escala de valores que vai do que é banal até o que é imprescindível,  ela tem testemunhos e as vezes sussurra coisas no meu ouvido, como se me dissesse: só vou contar isso pra ti... acho que dói menos. Não costumamos falar dessas coisas, elas nem cabem mais em nós, mas se ela deseja, e cada vez foi desejando menos, falamos, sabemos que deve passar, basta tempo e as vezes silêncio. Em nenhum momento concordamos com ela quando acha que nunca foi amada ou cuidada quando morava com seus pais biológicos, pelo contrário, lhe contamos o quanto somos gratos por eles terem dado a ela e ao irmão o dom da vida, porém, internamente sabemos que foi só isso que fizeram, nós agora é que somos a FAMÍLIA deles, pertencemos uns aos outros num amor sem fim, e eles, meu filhos,  resilientes que são, têm mais espaço para felicidade do que pra tristeza.
Existem tantos lugares dentro e fora da gente, nos desapegamos de nós mesmos com tanta frequência que nem nos damos conta, somos família e deixamos de ser conforme o que vamos vivendo, conforme os encontros que temos com gente, bicho e lugar. Nesse construir e desconstruir da família, um mundo de coisas acontecem, saímos e entramos no olho do furacão incansáveis vezes, e aos pedaços ou inteiros vamos sinalizando nosso caminho, fundando placas que nos direcionam ora pra cá, ora pra lá, ora pra frente, ora pra trás....... sem deixar de olhar as placas alheias e as novas possibilidades de escolhas.  É pela desordem que organizamos a vida, é o universo que provê, sem esquecer que: ele não dá, mas devolve! O cenário da vida pode mudar muitas vezes, nós (os atores) também. Foi isso que fiz depois de me dar conta de que engravidar era palavra bem maior e que significava mais do que ter um filho no ventre, a adoção foi um recomeço sem medo, com a expectativa  e a certeza de que era esse o caminho, era a escolha mais bonita, mais verdadeira e que iria nos levar ao encontro dos nossos filhos. E como todo o recomeço, a adoção nos trouxe viço novo, amor novo, conceitos novos, e se assim posso nomear, nos trouxe: espiritualidade nova, novos guias, orixás, santos,  entidades, um novo jeito de ver e sentir Deus, um novo sopro de força, e a gratidão por entender que o mundo tem seus mistérios. Não salvamos nossos filhos de nada, nem tão pouco fizemos caridade, a CHEGADA deles foi como um abraço forte depois de de sentir muita dor. 
Sou tão grata pelas possibilidades que a vida nos dá de construir a família que a gente ama. 
Somos rios de encontros, somos ávidos, somos tantos e com tantas possibilidades......... encurtar-nos com definições de família é como podar as possibilidades de amar!


01/07/15

Dos Preconceitos Com a "Dona de Casa"







Escrevo sobre as coisas que acontecem na vida, pois elas nos ajudam a entender esse mundo e a partir delas podemos reconstruir nosso conceitos... ou não. 
Eis que numa mesa com amigos e conhecidos, um deles diz: "e então, vamos conversar sobre carros ou sobre direito?" Isso porque estávamos ali entre homens que trabalham no ramo automobilístico,  suas esposas que são advogadas e eu da área das Artes, no momento "dona de casa". Me pronuncio: por que não podemos falar de Arte? E outra pessoa responde com um sorriso em grau de deboche: "da arte de ficar em casa?" Pronto, ele acabava de chegar exatamente onde eu queria, começamos então (todos) a discutir sobre a "arte de ficar em casa", de ser "dona ou dono de casa". No meio da conversa surgiu até o nome Amélia, a pessoa que o citou talvez nem saiba que esse termo já é até verbete de dicionário, mas provavelmente conheça o samba de  Ataulfo Alves e Mário Lago. Amélia há tempos deixou o posto de substantivo próprio e passou a ser substantivo comum, pois reconhecidamente se trata de uma "moça sem a menor vaidade" vivendo à sombra do marido, da família e da casa, tudo o que não sou, não pretendo ser e tenho certeza que muitas outras mulheres não são e nem pretendem ser. Outra pessoa diz: "ficar em casa. quanto retrocesso Rosane!O assunto foi tomando corpo e constatei que algumas das mulheres pensavam de forma mais machista que os homens, pois em suas falas ficava claro que "mulher de verdade" é aquela que sai de casa todos os dias pra encarar o trabalho lá fora, deixa os filhos na escola, com a babá ou etc, para poder sustentar a família de igual pra igual como o marido, e ainda chega em casa e encara seu terceiro turno: tarefas do lar, filhos... Sendo que a mulher que fica em casa "tem mais tempo livre". Percebi que estávamos na escala da categorização de pessoas. Se essas eram as "mulheres de verdade" as outras então seriam as de mentira? Mas a pior fala ainda estava por vir e veio também de uma mulher: "na verdade a mulher que fica em casa trabalha muito, até mereceria receber um salário por isso, mas acontece que fica """emburrecida"""", suas atividades passam a ser lavar, passar, cuidar dos filhos, fazer comida, ajudar com as tarefas da escola, bla, bla, bla e acabam esquecendo do mundo lá fora e até mesmo de si mesmas" e ainda acrescentou algo mais ou menos assim: "sem falar que ficam em casa as que são muito ricas e têm esse """privilégio""" ou aquelas que são muito pobres e não têm emprego ou qualificação para trabalhar fora". E a pessoa que deu início a esse enredo todo falou: "por isso que eu disse se íamos falar de carros ou direito", querendo dizer que: os assuntos de "casa" são desinteressantes. Estávamos em nove pessoas, quatro delas se posicionaram dessa forma, ainda bem que eu e as outras quatro nos posicionamos bem diferente disso. Perguntei aos mais entusiastas ao machismo (confesso que fiz isso de maneira esnobe)  se conheciam uma porção de livros que eu já havia lido, citei algumas autoras mulheres: Carolina Maria de Jesus, Alice Ruiz, Chimamanda Adichie, Adélia Prado, Marina Colasanti, Simone de Beauvoir, entre outras, perguntei se já tinham visto as exposições de arte que eu vi, se já tinham ido a tantos espetáculos de dança e teatro quanto eu fui, se já tinham parado pra olhar pro lado e ver que o mundo é bem maior do que imaginamos ou desejamos... arrematei: e pra aqueles que acham que quem fica em casa não trabalha, convido a passar um dia comigo, e já adianto: cedinho da manhã recolhemos os cocôs dos cachorros lá fora, que são muitos, grandes e fedidos, e a propósito fazemos isso com um sorriso no rosto!!
É importante tomar cuidado para evitar certas posturas de culpabilização feminina, nem todas as mulheres que se dedicam aos afazeres domésticos e outras atividades caseiras tem postura "machista", há muitas mulheres com carreiras executivas que ainda enxergam a vida através das lentes patriarcais, e acabam sendo mais submissas do que as "donas de casa", e ao contrário do muitos pensam:  cuidar dos filhos, da comida, das coisas da casa, não emburrecem ninguém, o que emburrece é manter vivo um conceito de que só se pode ser feminista, politizada, inteligente, dona de si quem trabalha fora, emburrece o desconhecimento de tudo o que envolve as tarefas domésticas e das atividades com os filhos pequenos. Há um envolvimento do tamanho do mundo e com o mundo ao se desempenhar todas essas funções.
Há algum tempo mulheres foram queimadas numa fábrica, mulheres não tinham o direito ao voto, nem aos estudos, muito menos ao trabalho fora de casa. Hoje já se conquistou parcialmente a igualdade de direito entre os sexos. No mercado de trabalho, na política, na economia, na sociedade, as mulheres são mais valorizadas, e as tarefas domésticas, que antes eram delegadas somente às mulheres passou a ser também tarefa dos homens, aplausos de pé para tudo isso, e sabemos o quanto ainda precisamos vencer preconceitos machistas e apequenados a respeito das mulheres. Já que se venceram tantas coisas por que não superamos esse novo/velho conceito de que se eu varrer a casa, cuidar dos filhos, fazer comida estarei traindo o feminismo, deixarei de ser ativista, ficarei burra, escolher ficar em casa (no meu caso por um tempo) não é retrocesso é um direito de toda e qualquer pessoa (homem ou mulher) que assim puder e desejar fazer. Acredito que o ativismo se dá de dentro pra fora, seja em qual esfera for, suas vertentes se estendem e se ampliam dentro ou fora de casa. Trabalhei fora desde meus 17 anos, estudei, criei, fiz muitas coisas, deixei marcas no mundo, nas pessoas... pretendo voltar, tenho projetos sendo executados nas madrugadas livres, estou com 44 anos, escolhi ficar um tempo em casa com os filhos, tenho um marido que trabalha fora e quando chega em casa trabalha mais ainda me ajudando com todas as atividades que envolvem uma casa, uma família, não sou obrigada a escutar: "que retrocesso Rosane!" Estamos num momento em que se discute muito a constituição familiar, essa defendida por muitos: papai (homem), mamãe (mulher) e filhinhos não é a única e nem nunca será, sou a favor da FAMÍLIA/AMOR seja ela composta de qualquer forma, gênero, classe, raça e principalmente construída com bases LIBERTADORAS. Lembram das mulheres que atearam fogo em seus sutiãs? Eu aqui da minha casa, apoio de corpo e alma essas labaredas, e por isso mesmo me dou o direito da ESCOLHA, estou aqui, por um tempo, formando cidadãos que respeitam a vida, o planeta, as pessoas... ao mesmo tempo estudo muito, leio muito, escrevo muito e preciso falar: estou aprendendo tanto quanto quando eu saía de casa todos os dias as sete horas da manhã. Não precisaria dizer isso mas quero dizer: meus filhos são muito inteligentes, têm posturas sensíveis frente a vida, são expressivos e felizes, meu filho menino brinca de casinha junto com minha filha menina e ele ajuda a cuidar das bonecas, limpa a casa, busca os filhos na escola, tudo isso brincando e APRENDENDO. Meus filhos me reconhecem como alguém admirável, que pinta, desenha, escreve, fotografa e cuida deles, dos bichos e da casa, sabe que trabalhei fora sempre, admiram tudo o que já fiz e sabem de tudo o que ainda pretendo fazer. Os dois observam o pai ajudando nas tarefas domésticas com a maior naturalidade, como deve ser, não há espanto algum ao vê-lo desempenhando papéis ditos como de "mulherzinha". Brincamos, lemos e contamos muitas histórias, cantamos, dançamos, escrevemos, escutamos, choramos, damos risada, pintamos, desenhamos, criamos, cuidamos uns dos outros, dos bichos, do pomar, da horta, vamos ao teatro, ao cinema, a mostras de arte, ao parque, limpamos, lavamos, cozinhamos, brigamos, pedimos desculpas, brigamos de novo, nos amamos, amamos os outros, trabalhamos... e assim vamos ateando fogo (aos sutiãs) de preconceitos e categorizações.






19/05/15

Dia Bom, Dia de Inventar

A escola que me perdoe, mas amo quando a filha fica em casa... a gente inventa alguma coisa pra fazer: bolo, pipoca, desenhos, pinturas ou enfeites para as árvores do pomar. 




O dia estava lindo, fomos todos pro lado de fora da casa, lado de fora da vida, carregados de apetrechos para fazer nossas atividades "artísticas", o filho só na curiosidade e mexendo por tudo, dedo na cola, puxando as fitas e por aí a fora!




Enquanto isso a filha seguia concentradíssima em suas feituras, ansiosa para ver o primeiro pronto. Eu: ora fotografava, ora ajudava, ora brincava com o filho...









A Raquel terminando os detalhes, cola, fitas, vontade de fazer, alegria em fazer, assim inicia um bom trabalho, qualquer que seja, se a gente deseja fazê-lo, tudo fica mais prazeroso.













Ó ela feliz da vida com o resultado, ficou lindo... ele dança com o vento, embala a gente também, dá pra imaginar uma melodia, ou cantar, e foi o que ela fez, cantou pra ele dançar!




Esse foi só primeiro faremos mais, nossas árvores todas terão seu "dançante".









Por hoje é isso, meus escritos sobre a vida nessa caixinha de sapato virtual de guardar lembranças acabam com esses sorrisos, que iluminam a gente por dentro... fazem clarão na alma.










Beijo afetuoso, abraço demorado e até mais, logo ali!







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