Jarro de Pedras


Nossa vida pode ser comparada a um jarro cheio de pedras, as vezes este jarro é agitado, umas pedras batem nas outras, se atritam, se desgastam. Há pedras pontiagudas, ásperas, cheias de imperfeições.
Algumas são maiores, outras nem tanto, e ainda há as bem pequenas, que não sem demora, podem  aumentar de tamanho.
Uma vez li algo que dizia mais ou menos assim: as pedras são lapidadas no contato e atrito com outras pedras, desta forma se tornam mais valiosas, desde que o atrito não as quebrem.
Se lermos estes atritos como sofrimentos e dores que passamos, sem dúvida qualquer um de nós dirá sim, que saiu deste atritar mais valioso e nobre. A propósito também podemos perceber este agito como algo bom que acontece conosco, uma grande mudança, um nascimento, um novo amor, um antigo amor renovado, uma cura, uma descoberta, uma redescoberta de si mesmo, um novo caminho.
É fato, só podemos reparar as arestas desse jeito, não há outra forma. Cada um de nós vai se adaptando a este jarro chamado vida, e ao sacudir-se, as pedras se esforçam para ocupar seu lugar e ser o que realmente querem ser. 
O atrito acontece e deste jeito, nós, desculpa estou falando das pedras... Deste jeito as "pedras" ficam mais arredondadas e mais bonitas hoje do que eram ontem.
Não por acaso o jarro fica em plena calmaria e as pedras apreciam o silêncio e a felicidade de ficar em paz, mas é bom lembrar que de cada agitar-se, surgem bem ali ao lado novas descobertas, novos sentimentos, isso posto, mais uma vez o jarro se agita, e lá se vão elas, as pedras tomam outro rumo. E aí se percebe que os encaixes construídos com amor e respeito, ah, estes não se desfazem, podem até escorregar um ali outro aqui, mas permanecem ao lado, melhorados pelo atrito.
Metáforas? Sim, escrevo com elas, para dizer o que penso e sinto.
Pense bem se não somos mesmo feito pedras, se encaixando umas nas outras, se lapidando no contato com o outro, ora com as angústias, ora com os acalantos que a vida nos traz.
Sei bem que pedra quero ser, daquelas que nunca está pronta, ou melhor, daquelas que sempre pode melhorar, se por acaso eu ficar ápera, e isso irá acontecer, que minha apereza seja banida, e que eu me refaça com delicadeza, que minha natureza seja aveludada, com arestas sim, mas que ao decorrer da vida possam ser preenchidas com ternura e fortaleza. Não quero ser pedra fraca, que se quebra, não quero ser feito a música que diz: "...como um cristal bonito, que se quebra quando cai".  Ao contrário disso quero ser forte feito rocha que ao cair vai aprimorando sua forma, polindo sua alma. Se pedras tem alma? Essas que falo têm!!
E as pedras que surgirem pelo caminho? Como já dizia o poeta: Recolho todas, com elas construirei meu castelo!


Um beijo